Artigo
Muitas pessoas acreditam que não avançam por causa do contexto.
Mercado difícil. Chefias exigentes. Falta de oportunidades. Timing errado. Por vezes, tudo isso influencia. Mas, outras vezes, o verdadeiro bloqueio não está fora. Está nos padrões internos que repetimos sem questionar.
A isto chama-se Auto-sabotagem.
Não é falta de capacidade ou ausência de talento.
É um mecanismo de protecção.
Porque se auto-sabota?
A auto-sabotagem surge para evitar emoções difíceis: medo de falhar, medo de ser avaliado, medo de não corresponder, medo de ter sucesso e depois não conseguir manter.
O cérebro privilegia segurança. Sempre que um objectivo implica exposição, risco ou mudança, activa estratégias para reduzir a ameaça e essas estratégias parecem racionais. Ora veja:
Joana S. Mendes
Psicóloga Clínica e da Saúde
1️⃣ Culpar o exterior: quando o controlo está sempre fora
É a crise.
O chefe implica.
O mercado está saturado.
Pode haver verdade nestas afirmações. Mas quando a explicação é sempre externa, a consequência é clara: perde poder de acção. Se tudo depende do mundo, nada depende de si. Assumir responsabilidade não significa culpar-se. Significa recuperar margem de manobra.
Pergunte-se: O que está sob o meu controlo nesta situação?
2️⃣ Evitamento: Surge uma oportunidade e logo a seguir uma justificação para não avançar.
Não é o momento.
Vai dar muito trabalho.
Agora não consigo.
Evitar reduz a Ansiedade no imediato, mas mantém o cenário que quer mudar. Sente alívio, mas a médio prazo, acumula Frustração. Crescer exige tolerar algum desconforto temporário.
Pergunte-se: Estou a decidir com base em estratégia… ou em medo?
3️⃣ Auto-crítica excessiva: protecção disfarçada
Não tenho perfil.
Não sou suficientemente bom.
Se desta vez correu mal, as próximas também vão correr.
Antecipar o fracasso dá uma falsa sensação de controlo. Se já espera o pior, dói menos. Porém, este padrão cria um limite artificial às suas próprias possibilidades. A Auto-crítica construtiva melhora desempenho. Já a Auto-crítica destrutiva paralisa.
Pergunte-se: Estou a avaliar factos ou a amplificar inseguranças?
Como quebrar o ciclo?
Reconheça o padrão e nomeie o comportamento para reduzir o seu poder automático. Depois, assuma a responsabilidade pelas suas circunstâncias... Não pelo que não controla, mas pelo que depende de si.
Aja apesar do medo, pois Coragem não é ausência de medo. Porém, o bloqueio interno não desaparece sozinho ou só porque quer. Perde força, sim quando escolhe avançar.
A questão não é se sente Medo.
A questão é: vai continuar a proteger-se… ou vai permitir-se crescer?